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micaias

Honra aos Soldados Portugueses

Avatar do autor Jota.Coelho, 23.01.22

Louvados e reconhecidos pelo mundo…

Desprezados e ostracizados no seu país, Portugal

Assim tem sido o fadário dos militares portugueses, ao longo dos últimos 50 anos. Tal como este general Americano, muitos outros testemunharam de perto as qualidades dos soldados portugueses.

BRUTAL, MAS FACTUAL, UM HINO DE LOUVOR AOS SOLDADOS RASOS PORTUGUESES. O General dos EUA, William C. Westmoreland, que em discurso ao Congresso disse:  

"Querem vencer o Vietname, senhores? Dêem-me 8.000 soldados desta gente, e ainda este ano o comunismo cai nas terras da Indochina.”

“Eu vi corpos de tropas mais numerosos, batalhas mais disputadas, mas nunca vi, em nenhuma parte, homens mais valentes, nem soldados mais brilhantes que os do exército português, em cujas fileiras vi desprezar o perigo e combater dignamente pela causa sagrada dum Império condenado.

Quantas vezes fui tentado a patentear ao mundo os feitos assombrosos que vi realizar por essa viril e destemida gente portuguesa, que sustenta, há mais de dez anos em três frentes de guerra, contra uma poderosa força oculta, a mais encarniçada e gloriosa luta.

Aqueles homens que desconheciam os efeitos de uma bomba H ou o simples apoio dos helicópteros, provêm de terras desde as montanhas às planícies, cada um com seu conto pessoal e motivação para ali, a 10.000 km de casa, irem defender os ideais de uma nação há muito esquecida numa Europa dividida.

Tentado fiquei, pois, a dizer que nessa mesma Europa existiam três verdadeiros poderes, cada qual com a sua sombra no Mundo: - A Europa Americana, a Europa Russa, e Portugal.

E é essa raia de gente a quem se pede tanto por tão pouco que, com meios tão escassos e de modos bem simples, carregando na alma a sombra do Império Português, não precisavam do sabor da Coca-Cola, da experiência da droga ou de cultura hippie para combater.

Simplesmente faziam-no, e não abandonavam as armas por uma causa errada, mas defendiam-na não só pela gente lá de casa, mas pela casa lá da gente.

De Portugal, o canteiro mais velho da Europa, vi frutos verdes ou maduros a lutarem lado a lado com igual coragem, como se o combate fosse o ganha-pão dessa gente.

Querem vencer o Vietname, senhores? Dêem-me 8.000 desta gente, e ainda este ano o comunismo cai nas terras da Indochina.” Publicação na revista TIME.

General William C. Westmoreland, em relatório ao Congresso dos EUA após a visita ao Quartel-General Português de Nampula, em Moçambique, 1971.

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Início da guerra em Angola

Avatar do autor Jota.Coelho, 18.01.22

LEMBRAR PARA NÃO ESQUECER

Aos que vão resistindo ao desgaste da vida e às investidas dos fazedores de crises que nos atormentam e hipotecam o futuro dos nossos filhos e netos e desgastam a nossa dignidade, venho lembrar que há 50 anos, em terras de Angola, os Pára-quedistas voluntariosos e valentes, organizados em pequenos grupos de combate, souberam elevar bem alto o nome e o valor dos Boinas Verdes.

Continua na memória dos sobreviventes que hoje conseguem contar a história dos graves acontecimentos e dos horrores praticados por sucessivas vagas de bandoleiros sanguinários que chacinaram, esventraram e mutilaram crianças, mulheres, velhos e novos, pretos e brancos no norte de Angola. Desde o Úcua ao Quitexe, passando por Nova Caipenda, Quibaxe, Nambuangongo, Cuimba, Madimba, Buela, Zalala, Damba, Quibocolo, Bungo, Mucaba e tantos outros lugares da região dos Dembos, onde os sinais do sangue derramado por inocentes indefesos atiçou o sentido patriótico e fortaleceu o espírito de sacrifício na luta contra as hordas assassinas. Com reduzidos recursos e muita vontade de vencer, os Pára-quedistas estiveram na linha da frente na defesa das populações mais atingidas pela selvajaria dos bandoleiros da UPA (União das Populações de Angola). Foi na missão de socorro aos defensores de Mucaba, entrincheirados dentro da igreja local; no Bungo, as capacidades de liderança do Alferes Pára-quedista Mota da Costa permitiram uma defesa eficaz; na Damba, onde um pequeno grupo de Boinas Verdes conseguiu suster os ataques; na povoação 31 de Janeiro, o Tenente Pára-quedista Veríssimo teve papel destacado na organização da defesa da população local, onde contou com a fidelidade e apoio do cabo de cipaios Sebastião, do chefe de posto Vailão e do soba Camassa.

Foi no decorrer destas difíceis intervenções dos Pára-quedistas que tombaram os primeiros Boinas Verdes: o soldado Pára-quedista Domingos, durante a caminhada para Mucaba; o Alferes Pára-quedista Mota da Costa e o civil Caras Lindas, quando procuravam manter a ligação entre os que reparavam a ponte do Bungo e o soldado Pára-quedista Eugénio Dias, o civil António e dois bailundos que se dirigiram a uma fábrica de café e serração próxima na procura de material para a ponte.

Para suprir a falta do Alferes Mota da Costa, o sargento Pára-quedista Joaquim Santiago assumiu a responsabilidade de coordenação das acções necessárias para evacuar os mortos e os feridos até à base do Negage. Helicópteros para evacuação não havia, apenas algumas viaturas civis e pequenos Unimogues eram os recursos disponíveis para percorrer picadas esburacadas e cortadas por árvores de grande porte.

Com audácia e tenacidade na defesa das gentes dessas terras martirizadas pela sanha assassina dos bandoleiros os Pára-quedistas demonstraram todo o seu saber e espírito de sacrifício no cumprimento do dever “honrando a Pátria de tal gente”. Os elogios e provas de gratidão vieram de todos os lados, os jornalistas tentavam colher mais informações dos acontecimentos. Depois das primeiras missões de reconquista e ocupação das localidades vandalizadas, os Caçadores Especiais e outras tropas que foram chegando a Luanda começaram a ocupação definitiva da região atribulada. As Tropas Pára-quedistas, já reforçadas com mais efectivos, entraram em acção nas grandes operações levadas a cabo nos saltos em Quipedro, na serra da Canda e em Sacandica (localidade fronteiriça com o ex-Congo Belga, no extremo norte de Angola), com intervenção a nível de companhia. Com o Batalhão e a Força Aérea bem organizados, em colaboração com as tropas de quadrícula instaladas nas zonas afectadas pela guerrilha, as missões dos Pára-quedistas passaram a ser rotineiras e normais.

Para situar no tempo o sentimento dos que viveram os primeiros embates, não posso deixar de transcrever alguns recortes dos jornais de Luanda, onde são relatados episódios com intervenção de Pára-quedistas:

 

 - Da entrevista do Soldado Eugénio Dias, que foi ferido durante o ataque dos bandoleiros quando se encontrava na tal fábrica do café do Bungo, ao jornalista Moutinho Pereira do jornal “O Comércio”, publicada em 12 de Maio de 1961: “O ataque foi na segunda-feira, dia 8. Uma coluna de militares e civis, todos armados, seguiu até à ponte que os bandidos tinham cortado, para a reparar. Ao chegar à ponte o nosso comandante disse-me para ficar com os civis e protegê-los em caso de ataque, enquanto eles seguiam. Fiquei sozinho, pois sabia que os meus camaradas não podiam ir a pé… os carros não podiam atravessar a ponte… Ao sair da fábrica do café, já distanciados, ouvimos um tiro entre o capim. Claro que ficámos atentos e vigilantes. Mas aquela arma que disparou, por certo devido a algum acidente, dera o alarme. Logo se seguiu um tiroteio intenso. Encontrámos centenas de bandoleiros meio encobertos pelo capim. Os dois bailundos ainda não tinham feito a tropa e estavam desarmados, conseguiram fugir e refugiar-se na fábrica… Dei por mim a disparar a minha metralhadora ligeira para o meio do capim. A meu lado, o civil, ajudava-me como podia… Já ferido nas pernas, tentámos tomar outra posição…  À nossa roda tínhamos uma multidão ulutante, disposta a tudo para nos cortar a cabeça. Gritavam como demónios… Saltámos para o meio do capim alto, costas com costas, esperando o pior… por ali fiquei até perder as forças. Então, os meus camaradas conseguiram passar. Logo que se desenvencilharam daquela corja vieram à nossa procura…. Encontraram-nos feridos mas ainda conscientes no meio do capim, apertando de encontro ao peito, as nossas armas.”

 

- O jornalista Sotto Mayor do “Diário de Luanda” na edição de 17 de Maio de 1961 publicou alguns depoimentos sobre a situação no posto de 31 de Janeiro.

O repórter acompanhou uma das missões aéreas das avionetas do Aero Clube de Sanza Pombo e o chefe de posto e piloto Barros: “Aterrámos, cerca das 13 horas, no pequeno campo de aviação, onde se fizeram descargas de mantimentos e fomos convidados do chefe de posto Vailão e pelo tenente pára-quedista Veríssimo, dois valentes, à volta dos quais, pela sua actuação têm sido publicadas as mais largas reportagens. A defesa da povoação está toda concentrada à volta do edifício do posto, onde a população se recolheu. Pelas portas e janelas notam os sinais das lutas que têm sido travadas, estando as varandas do prédio barricadas com sacos de areia e arame farpado. Durante a refeição, servida numa grande mesa onde tomaram lugar grande parte dos “páras” e comerciantes da região, tivemos ocasião de ouvir do próprio chefe de posto, uma curiosa narrativa pormenorizada dos acontecimentos registados. – “Nós, em dada altura, verificámos que não tínhamos condições de defesa. Evacuámos, portanto, imediatamente a povoação. Toda a população foi connosco. Seguimos para a Damba, sede de concelho. Foi no dia 16 de Abril de 1961. Após a nossa chegada, deu-se o primeiro ataque à localidade. Colaborámos na defesa da Damba, neste e em mais três assaltos. Mas o nosso interesse era regressar o mais depressa possível ao 31 de Janeiro. No dia 27 conseguimos uma secção de Pára-quedistas, comandada pelo Tenente Veríssimo, para o nosso posto… Tivemos que lutar com muitas dificuldades. Eram obstáculos de toda a ordem – cortes profundos na estrada, árvores caídas, pontes danificadas. Era um nunca mais acabar.” O tenente Veríssimo relembra alguns acontecimentos passados na viagem: “Encontrámos ligeiras resistências durante o percurso de cerca de 84 quilómetros. No desvio para a povoação de Mucaba, a 12 quilómetros do destino, recuperámos diversos rapazes, portugueses africanos, que estavam prisioneiros dos bandoleiros no local conhecido por “Missão”. Temos tido diversos ataques, os primeiros de dia, os restantes de madrugada. Agora apenas têm tentado… mas depressa são repelidos e com baixas.”

Não havia tempo para pensar onde estava a razão; a necessidade de defender as populações indefesas e os postos isolados do norte de Angola era a prioridade, e a nossa fidelidade à Pátria impunha que cumpríssemos essas missões das quais saímos triunfantes, embora com grandes sacrifícios. Depois destas, muitas mais foram levadas a cabo com sucesso, as quais mereceram rasgados elogios e os mais altos louvores. Orgulhamo-nos dos nossos feitos e merecemos o reconhecimento da Nação. Apesar do ostracismo a que foram votados, os Combatentes portugueses, intervenientes nas guerras ultramarinas, são o que resta da gesta de valores que a Pátria contempla; dos cobardes não reza a história… muitos dos nossos governantes nunca souberam honrar a Pátria nem os juramentos e tentam desvirtuar os valores que “mais altos se levantam”.

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- NAMBUANGONGO

Os pára-quedistas saltaram lá antes da chegada do Batalhão 114. Para a maioria dos oficiais da Força Aérea e Pára-quedistas foi um golpe baixo dos estrategas da Força Aérea, não respeitando o esforço dos Batalhões que estavam a pouca distância de atingirem aquele objectivo; embora com dificuldades em percorrerem o que restava dos difíceis caminhos...

In: “ESTILHAÇOS”, temas da guerra el Livro publicado em 2019 e 2ª Edição em 2020

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101.A - - Depois do assalto... fogo nas palhotas!.

A Vida no mato, de José Monteiro

Avatar do autor Jota.Coelho, 09.10.20

Nunca possui uma forte compleição física, era alto e magro, no entanto tinha uma vontade enorme de nunca desistir, e nesse aspecto era forte psicologicamente. Já na recruta, em Tavira, nas marchas finais de Sexta-feira, nunca desisti e nunca me deixei ficar para trás o suficiente para poder perder o meu fim-de-semana.

                Em Mueda, sempre que saia da picada e entrava no mato, era um grande alivio, pois as emboscadas, as minas ou os fornilhos tinham ficado para trás, no entanto era ali na mata que havia o grande desgaste físico.

                Em campo aberto, e na chamada bicha de pirilau, a progressão tinha que ser rápida e a distância entre camaradas tinha que ser maior por questão de segurança.

                Aproxima-se mais uma operação, e esta ao nivel de batalhão. Dois grupos de combate da minha companhia, mais dois de outra companhia do mesmo batalhão.

                Mais de oitenta homens saem da picada, deixados pelo esquadrão de cavalaria, e entram no capim seco, pois está a aproximar-se a época das queimadas, algum tempo depois entramos na zona de mata aberta. Aqui, como tinhamos alguma protecção natural, aproveitamos para um caminhar rápido e sem parar até ao almoço.

                Nestas operações de 4/5 dias tinha que haver uma grande capacidade para racionar os comestiveis e especialmente ter cuidado com o consumo dos dois cantis de água. Por mim sempre fui bastante cauteloso com a água, nunca enchi cantis em charcos e quando os enchia em riachos ou rios sempre esperei pelos efeitos dos comprimidos. Foi sempre assunto de conversa entre mim e os camaradas da minha secção, uns aceitavam e compreendiam,  felizmente a maioria, outros não aguentavam e então era cantil cheio, cantil bebido, quando me apanhavam noutra função,

                Depois de uma refeição rápida, continuamos a nossa caminhada, onde já perto do fim da tarde, encontrámos um trilho. Toda a coluna parou, pois era sinónimo de presença de guerrilheiros ou população que os apoiava. Decidimos pernoitar ali mesmo, ficando o trilho cortado em dois lados pela nossa habitual circunferência. A noite ia caindo e ficou decidido, em cada grupo de combate, os respectivos turnos de alerta. Por mim, como raramente dormia, fui dando volta ao enorme círculo, para passar o tempo, e confirmar se havia pessoal que não deveria estar a dormir. Começou por se deixar de ouvir as pequenas aves, que com o cair da noite se calaram e comecei a ouvir autenticos choros de criança. Base dos guerrilheiros pensei que não fosse, pois estavamos no final do nosso primeiro dia e tão perto de Mueda não acreditaria, mas podia haver por perto alguma machamba e alguém da população por ali a dormitar.

                Novo dia nasceu com o pequeno ruido de todos a acordar e a tomar o pequeno almoço. Troquei impressões com os dois alferes da minha companhia, que ouviram o mesmo som, e a rir comunicaram-me que os guias lhe tinham dito que eram os sons emitidos pelas hienas, que eram frequentes nesta zona do Vale.

                Novamente em marcha, na formação de bicha de pirilau. Com os avançar das horas o sol começa a incomodar e o cantil começa a ser levado á boca mais vezes. Apanhamos uma zona de pequenas elevações, mais parecia um carrossel.

                O sol, bastante intenso, o caminhar e a irregularidade do terreno começam a provocar bastante cansaço físico. A G3 já não tem posição de estar, os quatro carregadores mais as munições extras parecem que pesam o dobro. A atenção devida e a disciplina tática começam a baixar. Finalmente o fim do dia aparece e preparamo-nos para pernoitar. Foi um autêntico alívio poder finalmente descansar. Com o avançar da noite, aparece o som das hienas e ouviamos perfeitamente o ruido dos motores das viaturas no aquartelamento de Mueda..

                Estamos no terceiro dia de mato, preparamos o pequeno almoço. Tenho que ter muito cuidado com a água, pois apenas tenho um cantil cheio. Aí vamos nós, novamente com energias renovadas, preparando-nos para entrar no objectivo, uma base da Frelimo. Depois de uma caminhada em mata aberta, encontramos um trilho e caminhamos paralelamente a ele. É altura de uma pequena paragem para almoço. Aviso a minha secção que ainda faltavam dois   dias para o regresso e que só teríamos água no pequeno riacho antes da zona das bananeiras. Nesta altura já havia muitos cantis com pouca água. O capitão da outra companhia, aliás o único que foi nessa operação, quis comprar

um cantil ao meu camarada e amigo Marcelino, que prontamente recusou. O Marcelino foi, e continua, caçador e estava bastante habituado a controlar a água, inclusivamente era o único que todas as manhãs lavava os dentes, com escova e pasta, com a água do cantil. Hoje, nas nossas reuniões anuais falamos deste assunto.

                Depois do almoço rápido continuamos o nosso caminho paralelo ao trilho, quando aparece a DO do Major de operações a querer que nos posicionassemos na sua vertical. Logo de seguida ouvimos uma algazarra "tropa ué, tropa ué" seguido de alguns disparos ao longe. Como era evidente, os Frelos viram o avião e logo pensaram que também

havia tropa por perto. Não tivemos alternativa, mandámos umas morteiradas, a algazarra e os fogachos dos Frelos acabaram, tal como a operação. Não podíamos arriscar uma possível emboscada antes de chegarmos á base deles.

                Novamente a caminhar, desta vez em direcção á mata serrada, com progressão á catanada, pois ali estávamos mais seguros. Pernoitamos por ali, não deu para fazer o círculo por causa do terreno, mas os grupos de combate agruparam-se mais.

                Novo dia, este já a pensar no quartel. Comunicou-se com Mueda o reencontro com o esquadrão de cavalaria, um pouco antes da ponte no sentido Nancatare/ Mueda, já muito perto das águas.

                Quando saímos da mata para a picada, lá estava o esquadrão para nos levar, finalmente, para o quartel.

    Aqui chegados, por mim, passei, como era hábito, pela messe para limpar o "pó" por dentro com uma cervejola fresca, seguindo-se um banho, Maconde ou não, e uma cama lavadinha.

                Passados quase 50 anos, há muitos pormenores que me vão escapando, no entanto o Vale de Miteda, as noites no mato, a progressão e as entradas nas bases, na grande generalidade ainda bem me recordo. São   marcas que ficaram para sempre. Não falando nos camaradas que por lá ficaram para sempre, pois essas são marcas bem vincadas ao pormenor que jamais esquecerão.

Texto de José Monteiro em:   https://www.facebook.com/groups/picadascabodelgado/permalink/3726330090712691/

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Combatentes não são racistas

Avatar do autor Jota.Coelho, 17.08.20

Movimento Cívico de Antigos Combatentes

4 de Agosto às 12:14 · 

Amigos Combatentes, com a finalidade de refrear a onda de acusações e incitamento ao ódio lançada sobre os Combatentes do ultramar, entendemos divulgar o seguinte:

Exmºs. Senhores Jornalistas,

A trágica morte do ator Bruno Candé por desavenças com um antigo Combatente levantou uma onda de indignação com sentido acusatório inqualificável, porque não se procurou saber dos antecedentes da vida e do comportamento social dos intervenientes nem do seu estado psíquico. É sabido que o stress é um estado de debilidade mental que nos combatentes, treinados para matar, pode desencadear acções de agressividade extrema. Através de um rastreio realizado entre 2006 e 2008, por cerca de 386 voluntários, foram encontrados mais de 110 mil antigos combatentes com indícios de stress de guerra, num universo de mais de um milhão que andaram em ambiente de guerra nas antigas colónias. Nunca foram devidamente tratados nem apoiados para recuperarem dos seus traumas.

Por natureza da sua formação, os militares combatentes não são racistas e repudiam a instigação ao ódio e à violência, apesar de estarem bem preparados para usar armas. O exemplar relacionamento e fraternal convivência com as populações autóctones foi elogiado por muitos jornalistas e entidades estrangeiras que fizeram trabalhos e acompanharam as nossas tropas.

Esperamos que o texto anexo seja devidamente tido em consideração para amenizar os ânimos, esclarecer os ignorantes, esbater as ondas de histeria e prevenir confrontos indesejáveis numa sociedade que se quer pacífica.

Com os cordiais cumprimentos.

Joaquim Coelho

(coordenador e dirigente associativo de combatentes)

(membro de dois grupos de reflexão cívica e social)

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OS COMBATENTES… RACISTAS?

O caso da morte do cidadão de origem da Guiné-Bissau, Bruno Candé Marque, por desentendimento com um cidadão português, antigo Combatente em Angola, tem sido pretexto para atacar a dignidade dos Antigos Combatentes, trazendo à baila a questão do racismo. O descarado e maldoso aproveitamento do caso para agravar o crime tem sido escandaloso. Pois, há testemunhos das más relações entre os dois, em parte, devidas às impertinentes investidas da cadela de Bruno Candé, na presença deste; por outro lado, a vida e o comportamento do actor tem diversas nuances que não abonam em seu favor e deita por terra a idolatria histérica que se tem propagado.

1 - Conheci o dito Combatente Evaristo (parece que é esse nome) numa esplanada junto ao Estádio da Luz, aquando de uma reunião com o Pára-quedista José Pacheco e mais dois antigos Combatentes, com vista à preparação de uma manifestação de Combatentes no Marquês de Pombal. Percebi que o sujeito era pouco falador e tinha tiques de sofrer de stress pós-traumático de guerra. Nunca mais o vi. Talvez estejamos perante um caso evitável, se o comportamento do actor fosse comedido e o antigo Combatente não sofresse de stress de guerra; este, sentindo-se humilhado e ofendido, não se conteve e desferiu os disparos fatais.

2 - Quanto ao comportamento dos militares portugueses, não precisamos reclamar de tal rotolagem malévola, que mostra sintomas de má-fé!

Para desfazer tal atuarda, temos muitos milhares de exemplos da boa convivência com povos de diversas etnias e raças. Por outro lado, as centenas de jornalistas estrangeiros, que visitaram as nossas colónias e acompanharam os militares portugueses nas suas missões de patrulhamento, reabastecimento, combates e assistência médica e social, foram os primeiros a mostrar ao mundo que nunca fomos racistas. Perante a natural harmonia entre as nossas comunidades: brancas, negras e mestiças, elogiaram o comportamento exemplar dos nossos militares nas suas relações de proximidade e ajuda às populações autóctones, mesmo em tempo de guerra. É esse modo de convivência pacífica, partilhada com os antepassados e pais dos que agora nos hostilizam e insultam, que as organizações fomentadoras do caos e da devassa dos nossos princípios e valores estão a denegrir.

3 - Ora, o que se tem propagandeado nas televisões e nos jornais não é mais do que a demonstração pura e dura do avanço das forças doutrinadas para o caos e emergentes contra toda a forma de organização social e política dos países mais desenvolvidos, especialmente contra as comunidades dos povos e culturas ocidentais.

Se não forem tomadas medidas concertadas contra o preconceito estigmatizado entre as populações não brancas, protagonizado pelos manipuladores e comentadores oficiais ao serviço das forças com nebulosos interesses no desmantelamento das sociedades organizadas e humanizadas, corremos o risco de ficarmos reféns da nossa apatia, perdendo os valores culturais e a própria identidade, além da perda da história duma nação milenar.

4 - As forças antagónicas que nos estão a manietar os movimentos dentro das nossas fronteiras, também pretendem destruir os nossos costumes, as nossas tradições, os nossos conceitos de família e de nação. Destruindo e amarrotando a nossa história, estão a desvalorizar e a inverter os valores dos nossos feitos gloriosos, das nossas descobertas prodigiosas que levaram cultura, religião e inovação a outros povos espalhados pelos quatro cantos do mundo. Estamos em crer que a tormenta vai ser dolorosa, caso não tomemos as devidas cautelas, providenciando meios para acabar com a devassa dos nossos costumes e valores, afrontando, sem medo e com determinação, as forças e as organizações que estão por detrás da evolução de pseudo-manifestações contra o racismo, cujas caracteríscas e propósitos evidenciam acabar com a liberdade dos cidadãos nacionais, coartando o seu direito de movimentos em todo o território da própria Pátria. Depois de usurparem os direitos da nacionalidade de uma nação com meritória história milenar, não têm pejo em se insurgirem contra a história milenar e contra as regras estabelecidas, insultando e maltratando os que lhes deram guarida.

5 - Além do espanto e da tristeza, incomoda-nos a arrogância dos participantes nas manifestações, especialmente os “lusitanos” rapazes e meninas, bem vistosas, vociferando palavras de ódio e de vingança, gravemente ofensivas da dignidade dos seus concidadãos e antepassados, misturados numa caldeirada de marionetes ornamentadas com aberrantes trajes e piercings que donotam personagens indisponíveis para trabalhar e contribuir para o seu próprio sustento. Grande parte destes ociosos, além de sugarem e delapidarem os recursos das prestações sociais, recusam adaptar-se aos costumes e regras do país que lhes dá acolhimnetro, tentando impor os hábitos das suas origens e regras das religiões e filosofias que lhes dão jeito. E se não fizermos uma séria e oportuna reflexão para nos impormos contra tais propósitos nocivos ao nosso modo de vida em sociedade saudável, perderemos a condição de Combatentes patriotas e não nos livramos da maldosa rotulagem de “peste grizalha”.

6 - Pois, esta questão das populações não europeias ou lusitanas é muito mais séria do que as manifestações de ódio e de ameaças à nossa identidade de nação milenar e, até, à nossa integridade física; os preconceitos são de tal modo visíveis nas suas palavras e manifestações que denotam um feroz desprezo por aqueles que trabalham e sustentam a Segurança Social que alimenta essa cambada de ociosos, malfeitores, racistas e indigentes, que certas organizações mundiais e locais apoiam e manipulam.

Grupo de Patriotas e Combatentes por Portugal, com Joaquim Coelho

Seguem Anexos de amostragem do “racismo” nos tempos das guerras ultramarinas.

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Estórias em tempo de guerra

Avatar do autor Jota.Coelho, 17.05.20

A guerra ainda não acabou”

       Conheci Joaquim Coelho em 2016, em Vila Nova de Gaia. Concedeu-me uma entrevista sobre a sua participação na Guerra do Ultramar que vou integrar na minha tese de doutoramento, ainda em construção. Nesse dia, perguntei-lhe porque é que escrevia livros sobre o conflito ultramarino. Respondeu-me que não o fazia por “trauma”: “escrevo porque quero dar a conhecer o que se passou na guerra. Os meus traumas ficaram todos lá: quando eu regressava ao quartel, depois de uma missão no mato, passava todos os meus traumas para o papel. Escrever fazia-me bem, era uma forma de desabafar”. Hoje – disse-me – Joaquim Coelho sente-se na obrigação de trazer o passado para o presente, porque “a história está muito mal contada”: “uma guerra que envolveu diretamente mais de um milhão de homens e indiretamente mais de dois milhões de familiares, durante 13 anos, não pode passar ao lado da História de Portugal”. Durante a entrevista, Joaquim Coelho destacou ainda que considerava “injusto” que Portugal ignorasse “o grandioso esforço dos combatentes na guerra. Mas não cruzo os braços, porque a guerra ainda não acabou: só acabará quando morrer o último soldado”.

     Joaquim Coelho continua, de facto, a lutar para que a guerra que conheceu chegue ao futuro. Combate agora com a arma da paz: a palavra. Em “Estilhaços…”, à semelhança do que fez noutros livros, apresenta histórias em “carne viva”, pensamentos de ontem e de hoje, memórias que o tempo não apaga. São relatos sem papas na língua, que nos fazem viajar a Angola e a Moçambique, ao teatro de operações. Joaquim Coelho dá a conhecer a “realidade” porque a conhece bem e porque dela não tem medo, afinal faz parte do seu percurso de vida. Por vezes, admite, “veste-a” de poema para a aligeirar, dando-lhe outra dimensão e atenuando o “desconforto”. Porque “a guerra nunca foi capaz de contar histórias”, o seu testemunho é um bem precioso.

                                                                                Sílvia Torres (a)

(a) – Grande entusiasta no estudo da imprensa jornalística das guerras ultramarinas; tem Formação em Comunicação Social e abraça a difícil profissão de Jornalista; prepara doutoramento.

 

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Nova Leituras

Avatar do autor Jota.Coelho, 17.05.20

 

NOTA PRÉVIA – Alerta!

Estilhaços… das guerras ultramarinas” porquê?

Ora, ainda estão frescas as chagas das feridas que nos roem os melhores anos da vida. Muitos fecharam-se no silêncio dos seus traumas, tentando esconder as verdades do tempo dos embarques sem retorno, da guerra sem fim à vista. A memória parece que hibernou nas catacumbas do sofrimento, enquanto o corpo sobrevive ao trauma das angústias incrustadas nas emoções oprimidas.

O drama dos traumatizados da guerra persiste, porque a guerra ainda não acabou… para eles! Desgraçadamente, os governantes da nação esqueceram os milhares de Combatentes que sofrem os efeitos dos “estilhaços” que continuam a remoer o corpo e a alma. Mesmo aqueles que conseguiram passar as barreiras burocráticas, esbarram no desconhecimento, no desleixo e, até, na má vontade dos profissionais dos Centros de Saúde e dos consultórios médicos, percorrendo um fadário desesperante. Todos os dias vemos casos de flagrante desprezo e criminoso desleixo para com os doentes pós-traumáticos com stress de guerra – andam mais de dez anos a correr de consultório em consultório, num enredo de enlouquecer.

O resultado de várias consultas que acompanhamos são vergonhosos – mais de 90% dos Centros de Saúde e dos seus profissionais desconhecem a Rede Nacional de Apoio! Pois bem… há instituições a receber dinheiro do orçamento do Estado, que gastam em proveito próprio, à conta dessa rede. E o que faz o Ministério da Defesa Nacional? Dá o dinheiro e lava as mãos… Mas temos que saber quem recebeu, ou gastou, os 18 milhões do orçamento de 2019, destinados aos Combatentes?  

(Decreto-Lei 50/2000 – Despacho Conjunto 364/2001, Ministério da Defesa Nacional)

Eis a guerra!

Não perguntem porque andei na guerra. Talvez, porque fui empurrado para a guerra. Mas poderia responder com mais convicção: estou envolvido em várias guerras, porque o meu combate não tem fronteiras! Se conseguirei acabar com as guerras? Pelo menos, tento acabar com o obscurantismo que empobrece os meus compatriotas.

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Glória aos homens Combatentes, a nossa força não abranda com o escárnio dos homens pequenos, homens desprovidos de sentido patriótico.

Confirmo o empenho e renovo a esperança na luta pelo reconhecimento dos nossos préstimos à Pátria.

As Guerras ultramarinas em discussão

Avatar do autor Jota.Coelho, 30.11.17

Razão da ida à Guerra

 Por natureza, nenhum ser humano deseja a guerra. Os antepassados transmitiam o espírito de luta aos mais novos, por razões de sobrevivência, na disputa dos territórios e dos bens necessários ao consumo humano. Naturalmente que as pessoas tendem a defender aquilo que lhes pertence, mas ninguém tem vocação para o sofrimento que as guerras impõem aos seus participantes directos. Admite-se que muitos soldados têm relutância em combater, especialmente quando desconhecem a causa do combate. Mesmo o discurso do patriotismo não funciona para todos os cidadãos de igual modo, tendo em conta as mudanças sociais, a idade, o estatuto social ou a identidade com a Pátria.

No caso português, quase todos os combatentes foram empurrados para a guerra em circunstâncias adversas aos seus interesses, com fundamento na preservação do território português, tão propagado pela comunicação social e nos discursos oficiais. As características do povo português têm pouco de guerreiros mas muito de inocência ou moralismo ancestral, porque sempre fomos um povo mal compreendido pelos governantes com o complexo de superioridade justificado no compromisso mais absurdo da condição humana. A pregação dos superiores hierárquicos nunca foi capaz de justificar as razões da guerra nas terras ultramarinas, gratificante para alguns que colheram bons proventos, mas desgastante e dolorosa para a generalidade dos combatentes. Por razões de conveniência partidária, política e interesses militares, o abandono das terras ultramarinas criou graves prejuízos a muitos milhares de cidadãos que lá viviam, sendo a culpa da descolonização atirada para cima dos combatentes desmobilizados e abandonados à sua sorte. Por isso, aqueles que conseguiram integrar-se na sociedade, trabalhar e participar no desenvolvimento do país, tiveram o mérito de galgar as dificuldades e viver; já o mesmo não aconteceu com os que nunca conseguiram limpar da sua mente os traumas dos momentos difíceis, os quais continuam a carregar dentro de si as imagens terríveis dos mortos e esfacelados caídos a seu lado. Todos merecem respeito e reconhecimento, mas estes merecem, também, solidariedade pública.

Admitindo que muitos dos combatentes entenderam a sua missão fundamentada no sentimento de solidariedade para com os portugueses daqueles territórios, raramente o fizeram com o espírito de luta pela pátria, com consciência heróica. Freud soube definir as premissas que podem levar “os heróis ao espírito de luta” como justificativo da defesa duma comunidade que conduza ao conflito com significado moralista ou de defesa; daí se possa concluir que ninguém vai à guerra para ser herói, porque o sacrifício da própria vida não o justifica, especialmente quando os governantes desprezam a elite de homens que revelaram um estado de espírito altruísta e abnegado em circunstâncias severamente adversas na defesa das causas da Pátria. Embora não fossem bem compreendidos na sua missão, não desertaram… e cumpriram o sagrado dever que a Pátria lhes impôs, transmitindo à sociedade os valores duma elite moral e cívica que é cada vez mais rara entre a juventude.

É por tais razões que os combatentes são merecedores do respeito e do reconhecimento da Nação, especialmente dos organismos oficiais que devem proporcionar condições de vida tranquila, criando centros de apoio social, psíquico e psicológico para reparar as feridas invisíveis mas que podem ser detectadas em muitos dos intervenientes na guerra. O reconhecimento passa também pelos apoios sócio-económicos para os que não conseguiram integrar-se na vida profissional activa devido às mazelas resultantes da permanência em ambiente de guerra, que, objectivamente, causou estragos irreversíveis no miocárdio e no cérebro, levando ao desgaste prematuro destes órgãos, bem como à perda de proventos adequados à sua vida normal.

Finalmente, para os que assumiram o compromisso da defesa das causas da pátria, o reconhecimento dos esforços dos combatentes pode ser gratificante, em vez da repulsa e do negativo sentimento de abandono, prejudicial ao espírito de unidade nacional que se pode reflectir na sociedade civil e nas novas gerações.

Joaquim Coelho - Presidente da Associação MAC – Antigos Combatentes

e Coordenador do “Grupo de Trabalho” das Associações

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Controvérsias e Verdades da Guerra Ultramarina

Avatar do autor Jota.Coelho, 30.11.17

GUERRAS ULTRAMARINAS - Opiniões

 

A questão das guerras ultramarinas tem merecido uma avalanche de opiniões e comentários cujos autores mais parecem mixordeiros a atirar lama para cima das muitas centenas de milhares de combatentes que cumpriram, o melhor que puderam e souberam, os seus deveres patrióticos. Alguns dos comentadores e contadores de estórias chegam a resvalar para o ridículo das narrativas abstractas conjecturando cenários jamais imaginados. O que lemos e ouvimos são incongruências desfasadas da realidade que muitos viveram naquele tempo. Custa-me acreditar que os homens, com graves responsabilidades nas acções brutais de repressão e chacina aquando dos acontecimentos da revolta na Baixa do Cassange, tenham a veleidade de vir para a praça pública tentar justificar os excessos cometidos pelos seus comandados. Seria mais razoável que essa gente se recolhesse no silêncio, resguardando no esquecimento os seus actos selvagens.

Ao longo dos tempos, muitos dos intervenientes nas primeiras operações de guerra (caçadores especiais, polícias, pára-quedistas, especialistas da Força Aérea) que comigo conviveram ou convivem, manifestam cautela e incomodam-se quando vem à tona alguma referência a esse período negro do tempo das operações militares em Angola.

Os crimes cometidos contra as populações trabalhadoras, que as autoridades desprezaram em favor dos exploradores da Cotonang (empresa de capitais maioritariamente belgas), são monstruosos e irreparáveis. A administração portuguesa determinou o aniquilamento de muitos milhares de agricultores que a Cotonang escravizava. Para isso, usou as armas da polícia e dos militares mal preparados para acções de policiamento, enquanto a Força Aérea bombardeou e arrasou aldeias inteiras. Os mais conscientes tentaram conter a brutalidade das acções repressivas, mas cedo perceberam a sua incapacidade para suster a máquina destrutiva.

Na tentativa de silenciar aqueles que pudessem testemunhar para o mundo tamanha chacina, as autoridades nomearam “grupos especiais” para fazer buscas de casa em casa e “caçar” os presumíveis “cabecilhas” dos revoltosos. Numa dessas vergonhosas missões de “assassinatos” selectivos, o próprio comandante do grupo recusou estar presente no acto de fuzilamento sumário. Ainda hoje, alguns dos intervenientes numa acção de fuzilamento, levada a cabo na Gabela, não entendem como foi possível a tropa portuguesa, que se presume civilizada, chegar ao ponto de praticar actos de tamanha crueldade.

Depois, veja-se o que fizeram as autoridades policiais e militares, bem como os colonos brancos nos muceques de Luanda, a partir do dia dos funerais dos sete polícias vítimas dos assaltos à Reclusão de Luanda e às esquadras da PSP, na noite de 4 de Fevereiro de 1961 – foi uma autêntica caça ao “bandido” com muitos milhares de sevícias e assassinatos. Os ódios foram atiçados e a resposta selvagem não tardou. Dizer que o Salazar estava avisado da preparação das atrocidades contra os brancos e negros bailundos que trabalhavam pacificamente nas fazendas do café era pura fantasia. O que se passou teve tamanha dimensão e foi tão macabro que ninguém imaginou tal hecatombe. Não venham, agora, os adivinhas do costume tentar justificar o que quer que seja. Meus caros, não há desculpas para tanta crueldade e chacinas a sangue frio, como aconteceu na Baixa do Cassange, nos últimos meses de 1960, nos muceques de Luanda, em Fevereiro e no norte de Angola, a partir da noite de 15 de Março de 1961.

Dos exemplos de incongruências, temos os actos de “bravura” do alferes Fernando Robles, da 6ª companhia de Caçadores Especiais, que, num assomo de raiva provocado por lhe terem assassinado familiares, avançou com os desmandos e comandou um grupo que matou indiscriminadamente as populações indígenas. A loucura foi tal que o levou a descorar as regras elementares de precaução e deixou que o inimigo causasse dezenas de baixas entre os seus homens, quando progredia em zona infestada de bakongos instrumentalizados para estripar e esquartejar seres humanos. Provavelmente, a sua experiência na Baixa do Cassange, contra populações desarmadas, o tenha deslumbrado ao ponto de tamanha leviandade. A crueldade não justificou as chacinas nem os ódios que se tornaram intoleráveis. As consequências foram dramáticas, mas ninguém poderia saber o que esperava as populações das roças do café e das povoações das terras do norte de Angola. A ideia de que Salazar poderia saber dos planos para o massacre de 15 de Março de 1961 só pode ser falaciosa e mostra quanto de ignorância anda na cabeça de muitos escribas que pretendem deformar a história. 

Tenhamos respeito pelos mortos e estropiados, bem como pelos desenraizados que o ambiente de guerra mutilou no corpo e na alma. O sofrimento e as angústias dos soldados e dos familiares devem merecer a mais alta estima da nação. Deixemos que a história faça o seu percurso serenamente e acreditemos que ainda há escribas honestos e livres para fazer o seu trabalho com competência.

 Joaquim Coelho – combatente, em Angola por convicção, e em Moçambique, por imposição.

VER:  https://guerracolonial61.wixsite.com/coelho

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TEMAS CONTROVERSOS-Guerras ultramarinas

Avatar do autor Jota.Coelho, 07.01.13

 

Por considerar pertinentes alguns comentários publicados na Net, aqui reproduzo, com a devida vénia, os seguintes:

 

 

Conversa de "Caserna"

Senhor António de Noronha de Oliveira Martins,
Leio com particular agrado os seus textos, nos quais denuncia e critica, muito do que é publicado nas páginas deste excelente PortugalClub. Graças ao portuguesismo do Senhor Casimiro Rodrigues, este sítio continua a ser um extraordinário veículo de divulgação das muitas e desgraçadas vergonhas a que o nosso Portugal tem sido sujeito, permitindo repôr a verdade onde os traidores semearam a mentira. Sou autor - perdoi-se-me a imodéstia - do livro "Os últimos heróis do Império", uma homenagem que senti devia ser prestada a todos os militares portugueses dos três ramos das Forças Armadas - brancos, negros e mestiços - que bravamente se bateram nas três frentes de luta. Todos eles - com ou sem credos políticos - foram fiéis ao sagrado Juramento de Bandeira que um dia fizeram.
Tenho acompanhado as discussões, entre militares, que são trocadas nestas páginas. E comungo da sua opinião, Senhor Oliveira Martins: onde estavam no dia 25 de Abril de 1974 e que fizeram para corrigir os erros praticados.
Alguns deles bateram-se no Ultramar e ganharam altas condecorações. Então porquê as suas atitudes presentes?
Embora as mentiras semeadas tenham dado fracos frutos, é imperioso que a verdade sobreponha todas elas, quanto mais não seja para que não tenhamos que chorar os mortos. Todos os que se orgulham de ser portugueses e se identificam com oito séculos de História de heroismo e sacrifício querem que a verdade seja a herança de nossos filhos.

Cumprimentos. Rui Miguel - Lisboa

 

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Não se esqueça que os "militares" que pertenceram ao MFA mais não foram que "políticos fardados".

 

Senhor Oliveira Martins,

 

Pelas suas palavras percebe-se que vive enraivecido e descarrega essa raiva contra tudo e contra todos sem excepção, colocando todos no mesmo saco.

Usando as suas próprias palavras poderia dizer-lhe que mais não fez que masturbar-se intelectualmente quando me atacou pela forma como o fez e sem me conhecer.

As generalizações de casos particulares normalmente conduzem-nos a erros desta natureza e por isso antes de tudo deveria tentar saber quem escrevia e porque escrevia esses assuntos de ordem militar.

É fácil falar! O difícil é saber falar com propriedade e justeza  mas, para isso é preciso ter-se um conhecimento profundo do assunto de que se fala e de quem se fala.

O facto de defender as Forças Armadas Portuguesas nas pessoas dos seus SOLDADOS não significa que esteja de acordo com os políticos que conduziram Portugal a esta situação miserável em que nos encontramos. Fi-lo por imperativo da Verdade e porque eles merecem que se faça essa Justiça. Como disse  e agora repito não me moveu qualquer vaidade ou tentativa de me justificar ou salientar quando escrevi  a defende-los nas suas acções em África.

Como não o conheço, nem sei quem é, para não cair no mesmo erro que cometeu ao falar de mim, por aqui me fico e desde já lhe digo que após este pequeno esclarecimento não voltarei a este tema. Não alimentarei polémicas que em nada dignificam as Forças Armadas que muito prezo e respeito sabendo que as mesmas só irão beneficiar os políticos que tudo fazem  para denegri-las e assim poderem-se limpar das sujeiras que têm feito. Não se esqueça que os "militares" que pertenceram ao MFA mais não foram que "políticos fardados". E com isso está tudo dito....

Se tem razões de queixa das políticas que originaram a sua raiva ataque esses responsáveis e não os outros que nada fizeram para que isso acontecesse!

 

Respeitosamente,

 Luís Augusto Tavares Soares da Cunha

Coronel de Infantaria Reformado

 

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Sobre o título acima António Martins tece várias considerações com carácter  absoluto e de quem tem a verdade toda. Não tem ! Ao contrário do que afirma, a guerra nas colónias não estava ganha. Estava em “ banho Maria “ em Angola, em “ fogo lento” em Moçambique e politicamente perdida na Guiné.

 O esforço financeiro com a guerra lançava a economia portuguesa para uma crise sem precedentes com o primeiro choque petrolífero. Percentagem significativa da população portuguesa tinha de emigrar para sobreviver. Milhares de pessoas amontoavam – se em bairros de lata no interior ou nos subúrbios de Lisboa e do Porto. Por isso o golpe militar do 25 de Abril foi tão saudado pela população e recebeu tão massiva adesão popular.

António Freire

 

Podem comentar, porque o assunto não está encerrado...

 

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BOAS FESTAS

Avatar do autor Jota.Coelho, 23.12.12

 

SEJA FELIZ

O mundo é adverso à felicidade, mas temos que aproveitar as emoções positivas e cultivar o Amor. Em tempo de festas natalícias, a solidariedade deverá ser canalizada para os que nos estão próximos. A felicidade cultiva-se com o desenvolvimento espiritual e criando defesas contra os tempos conturbados que as angústias transformam em insegurança e inquietação. Perante a crise financeira e o medo das ameaças á nossa integridade física e intelectual, devemos refrear as emoções e canalizar as nossas forças numa perspectiva inovadora de construção do pensamento na descoberta do próprio eu. Cientes da força que nos anima, jamais serenos derrotados pelo desânimo e pelas adversidades externas.

Joaquim Coelho

 VER: AMIGOS que Tenho 

https://www.youtube.com/watch?v=-xLxKqMD2vA